quarta-feira, 21 de julho de 2010

a falta de amor.

no final das contas, ela não queria. tinha muitos pretendentes, mas nenhum realmente lhe chamava a atenção. tudo bem, tudo bem, sem injustiças. claro que tinha quem lhe fizesse imaginar coisas. mas suspirar não, nunca.
achou que o tivesse encontrado algumas vezes. ok, ok, muitas vezes. o rapaz moreno no bar, com um belo sorriso estampado no rosto. o jovem jogando na praia, exibindo seu físico a quem quisesse ver. o atendente de uma loja, no auge de seus 27 anos, com tudo que tinha direito, de terno e até óculos. o jogador de olhos verdes bonitos e pernas grossas. até o seu vizinho, solteiro convicto, passou pela sua cabeça.
mas via em cada um deles defeitos que antes não lhe faziam diferença. a falta de humor. o lado escolhido da cama. o estilo de dirigir. o perfume. a falta de gentileza. até o time de coração, quem diria!
foi assim que, contrariando toda lógica, continuou solteira. não solitária, mas sozinha, em paz consigo mesmo. continuou acordando toda manhã do lado direito da cama. foi ao cinema sozinha e riu de toda piada ruim que ouviu. gastou o que tinha e o que não tinha naquele sapato que namorava há séculos; até mandou embrulhar para presente! foi correr durante quase duas horas, só pelo prazer de sentir suas pernas ardendo, vivas. fez tudo o que tinha vontade, na hora que quis.
sentia falta do amor, claro. mas ele poderia esperar até a próxima estação.

Um comentário:

  1. é incrível a maneira como você consegue se expressar. adorei *-*

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