segunda-feira, 5 de julho de 2010

recomeços.

acordou e resolveu mudar. tomou um banho de lavar a alma. vestiu sua melhor roupa, aquela da sorte. bebericou um pouco de café afim de acordar de verdade. colocou sua música preferida pra tocar enquanto sentia o sol entrar pela janela escancarada. deu um jeito no cabelo desgrenhado, um jeito que só ela sabia dar. ainda assim, depois de tudo isso, ainda sentiu um aperto no peito, uma dorzinha bem lá no fundo. achou que já tivesse sumido, mas era apenas uma ilusão. nunca sumira de verdade, nunca deixara de estar lá. ela havia apenas se acostumado com sua presença.
foi assim que tomou uma decisão rápida. sabia que se não fosse naquele momento não seria nunca mais. calçou o tênis e saiu batendo as portas de casa. pensou em esperar um ônibus, pegar um táxi, mas não seria rápido o suficiente pra ela. começou a correr. logo sentiu aquela ardência nas pernas que tanto gostava. mas ainda não era aquilo que ela queria.
correu ainda mais, sempre na mesma direção. bem lá no fundo, esperava que fazer algo que tanto gostava pudesse disfarçar um pouco o seu desejo mais profundo. estava pensando nisso quando se deu conta da onde estava indo. aquele mesmo caminho que fez centenas de vezes. aquele caminho que era o marco pra suas mãos começarem a suar, o coração acelerar.
pensou em dar meia volta. pensou em parar e fingir que ia para outro lugar. pensou em simplesmente ignorar essa vontade cada vez maior. mas por algum motivo, não conseguiu. não conseguiu impedir suas pernas de continuarem correndo. não conseguiu criar forças para parar, não dessa vez.
não precisou nem ligar para saber se estava em casa. ela conhecia sua rotina, conhecia cada minuto do seu dia. hesitou durante um momento em frente à porta, pensando no que dizer. mas não agüentava mais aquela pressão, tocou a campainha. foram instantes intermináveis. quando ele finalmente apareceu à porta, ela experimentou uma mistura de sentimentos: alívio por vê-lo depois de tanto tempo, medo de sua reação e o de sempre, aquela sensação de felicidade transbordando do peito. a expressão dele também não foi a mais fácil de decifrar. mesclava doses de espanto, de confusão e, como sempre, desde que se conheceram, aquele carinho e aquela meiguice que reservava à ela, apenas à ela.
se encararam por alguns instantes. segundos intermináveis, pelo que se podia constatar. relembrando aquele momento, tempos depois, nenhum dos dois soube explicar de quem partira a iniciativa. talvez dos dois, naquele timing perfeito que só um casal com total consciência do seu amor pode ter. foi um beijo longo, demorado, do jeito que ela se lembrava. mas não apenas isso, tinha uma coisa a mais. claro, a saudade, a falta que aquele homem mimado, irresponsável e infantil fazia em sua vida. naqueles minutos que ficaram abraçados, pode sentir de novo aquele cheiro que nenhum outro tinha. nem com o mesmo perfume ou com o mesmo creme de barbear. era um odor só dele e de mais ninguém.
e sentiu, pela primeira vez em muito, muito tempo, a paz recair sobre si mesma. sentiu-se no lugar onde deveria estar, com quem deveria estar. foi a melhor sensação do mundo. não saberia descrevê-la a mais ninguém.

take me away.

3 comentários:

  1. adorei esse amor, foi o que mais me chamou a atenção, me identifiquei demais, parabéns =*

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  2. E, surge uma cronista! Piazinha, assim que o Boteco voltar, essa será a primeira publicação. Depois dou algumas sugestões por e-mail, certo?

    Gostei muito. Parabéns.

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  3. não tenho nem o que dizer. pra mim, o melhor, fato*
    parabéns, de verdade!

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