terça-feira, 24 de agosto de 2010

faz bem.

o que te dá força para continuar? o por do sol ou o luar à beira mar? o vento batendo no rosto ou mesmo a chuva a te molhar? uma noite para se esquecer ou um dia para se lembrar? a traição de um certo alguém ou isso não mais significar? a falta que se sente ou o prazer de se encontrar? um sorriso estampado ou o brilho de um olhar? um abraço apertado ou a vontade de ficar? o 'pra sempre' ou só uma vez para se lembrar? a música que você canta ou a que te faz cantar? alguém que te ajuda ou um apoio a te esperar? a viagem em um carro ou um romance a te embalar? um banho a te limpar ou a chuva a te purificar? a amizade de alguém ou alguém a te esperar? a certeza de um amor correspondido ou a longe espera para se amar? o alguém que te fala ou o que te faz ficar? os olhos mais bonitos que já viu ou os que te fizeram chorar? o mirante para o mundo ou seu quarto a te esquentar? o 'pra já' ou o que te faça esperar? a certeza do infinito ou de que não há mais porque tentar?

inspirado em 'voce eh o lado forte da amizade aqui, poxa'. nem faz ideia disso, né? [;

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

traída.

ela não sabia ao certo como era pra se sentir. algum lugar da sua mente lhe dizia que o usual seria estar chorando. se descabelando, gritando e esperneando. mas não conseguia. sabia também que provavelmente o mais lógico seria pensar 'ok, bola pra frente' mas também não conseguia.
sendo assim, qual a definição de traição? ser infiel, revelar-se? nenhum desses significados pareciam se encaixar na situação. mas nenhuma outra palavra descreveria melhor o que ela sentia naquele momento. porque pra ela, traição era quebrar tudo aquilo que um dia já foi falado, já foi prometido. do mesmo jeito que havia acontecido, com aquela meia dúzia de palavras.

there isn't someone who worth dying for, now i'm sure.

domingo, 15 de agosto de 2010

just yours.

porque esse tipo de amor vai ser só seu. posso conhecer milhões de outros homens, posso me apaixonar por centenas desses, mas esse amor, esse é só seu.
esse amor é reservado pra você. foi feito como fruto do nosso encaixe surreal e insubstituível. e de uma coisa eu tenho certeza, ele é só seu.
assim como meu coração. algumas paixões podem me roubar a cabeça; outras, algumas lágrimas. mas o coração, ele é só seu.
posso rir, esboçar uma gargalhada. algum outro alguém pode até me arrancar um riso. mas aquele sorriso, o melhor de todos, é só seu.
esse amor é só seu. é sem explicações, como se duas almas pudessem se entender num único olhar. esse olhar é só seu também.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

it's over.

e por mais que ela tentasse, não havia motivo nem forças que a fizessem sentir raiva naquele momento. também não havia espaço para tentativas de impressioná-lo.
tirar uma foto sensual não faria sentido; ele já a tinha visto vestindo apenas uma camisa enorme e a achado sexy. tentar fazer-lhe ciúme também não adiantaria; ele sabia que ela nunca amaria alguém como o ama. se maquiar e usar aquele salto de camurça vermelho que tanto a deixa bonita também não fariam resultado; ele já havia passado horas decorando aquele corpo, sem precisar de retoque nenhum. fingir raiva também seria inútil; ele já tinha jurado amor mesmo com os olhos tão turvos de ódio que quase não pareciam os dela. dizer que não o ama também seria uma tentativa fracassada. ambos sabiam que aquilo era o mais puro amor, de um jeito que só se conhece uma vez.

'e agora, pra quem eu vou falar de amor...?'

domingo, 1 de agosto de 2010

real sobriedade

não sabia como, nem porque, mas quando acordou, estava em casa. deitada na cama, mais precisamente. enrolada em todos os edredons da casa. não se lembrava de nada, desde... qual mesmo era sua última lembrança? olhou no relógio e eram 4h37. não deu pra saber se era da manhã ou da tarde.
tentou se lembrar da noite anterior. tudo começou a clarear. lembrou-se da aula de inglês que deu à tarde e da volta para casa. lembrou-se de ter quebrado o copo que comprou na sua última viagem. lembrou-se de um telefonema perturbador, mas não de quem estava do outro lado da linha. não conseguiu se lembrar de mais nada, exceto de uma carta. uma carta, escrita em um papel bonito, macio. uma carta, com letras redondas e delicadas. uma carta, que vira e mexe se fazia presente em seu pensamento.
quando passou aquela ressaca, tentou mais uma vez se lembrar que raio de carta era aquela. não conseguiu. a única coisa que conseguiu, após muito esforço, foi se lembrar do bloquinho de anotações de onde aquela folha havia sido arrancada. e realmente, lá estava ele. jogado embaixo do sofá, meio amassado. usando de uma técnica muito antiga de grafite sobre papel, conseguiu descobrir o que havia sido escrito por cima. e o que leu a chocou:
'não dá mais. não há palavras para descrever o quanto você me fez sofrer. não há palavras para descrever o quanto eu te amo, apesar disso. mas o meu amor próprio é forte demais, é complicado de lidar. eu sofri todos esses anos por medo de te perder, medo de me arrepender. mas agora acabou. acabaram todas as desculpas, todas as noites em vigília. acabou o aperto no coração, o medo de não ser boa o bastante para você. agora quem não é bom o bastante é você. sempre foi, eu só não conseguía ver. estava cega de tanto amor, de tanta paixão. mas já era. o irresponsável e mimado ficou pra trás na minha vida. quem sabe um dia, quando você for um homem e não um menino, as coisas possam voltar a ser o que eram, quando o que mais existia entre nós era o amor'
ela não acreditava que pudesse ter escrito aquela carta. mas ao mesmo tempo que pensou nisso, uma lembrança da noite anterior veio à sua mente. havia colocado os seus patins preferidos e após 20 minutos, chegado à casa dele. havia entregue a carta, dado-lhe o melhor beijo de sua vida e saído. só parou de chorar quando adormeceu, enrolada em todos os edredons da casa.

'and I hate that I love you so'

she.

quem é aquela? qual o melhor jeito de chamá-la? garota ou mulher? e porque ela nunca sorrí?
ela é uma incógnita. é o contraste perfeito entre o belo e o feio, entre o adorável e o detestável. é dona de um jeito cativante, de gestos misteriosos e de cores vibrantes. ela se mexe como se cada gesto, cada movimento fosse milimetricamente planejado, contado. o cruzar de pernas, a mexida no cabelo, o bico feito com os lábios. é tudo pensado, feito para te conquistar.
e aquelas mãos? dedos longos, finos, unhas vermelhas. aquele vermelho sangue, de quem não tem vergonha de ser mulher. a sua boca também é outra perdição. lábios carnudos, rosados. bicos, sorrisos, mordidas, só pra te fazer imaginar.
poucos percebem que ela sorrí sim, só que com os olhos. os olhos que tanto conquistam, que tanto incomodam, que tanto veem. com esses mesmos olhos, ela sorrí. com ternura ou com paixão, com calmaria ou com tesão. seus olhos dizem ainda mais. são capazes de se transformarem, de janelas da alma para poços em fim.