domingo, 1 de agosto de 2010

real sobriedade

não sabia como, nem porque, mas quando acordou, estava em casa. deitada na cama, mais precisamente. enrolada em todos os edredons da casa. não se lembrava de nada, desde... qual mesmo era sua última lembrança? olhou no relógio e eram 4h37. não deu pra saber se era da manhã ou da tarde.
tentou se lembrar da noite anterior. tudo começou a clarear. lembrou-se da aula de inglês que deu à tarde e da volta para casa. lembrou-se de ter quebrado o copo que comprou na sua última viagem. lembrou-se de um telefonema perturbador, mas não de quem estava do outro lado da linha. não conseguiu se lembrar de mais nada, exceto de uma carta. uma carta, escrita em um papel bonito, macio. uma carta, com letras redondas e delicadas. uma carta, que vira e mexe se fazia presente em seu pensamento.
quando passou aquela ressaca, tentou mais uma vez se lembrar que raio de carta era aquela. não conseguiu. a única coisa que conseguiu, após muito esforço, foi se lembrar do bloquinho de anotações de onde aquela folha havia sido arrancada. e realmente, lá estava ele. jogado embaixo do sofá, meio amassado. usando de uma técnica muito antiga de grafite sobre papel, conseguiu descobrir o que havia sido escrito por cima. e o que leu a chocou:
'não dá mais. não há palavras para descrever o quanto você me fez sofrer. não há palavras para descrever o quanto eu te amo, apesar disso. mas o meu amor próprio é forte demais, é complicado de lidar. eu sofri todos esses anos por medo de te perder, medo de me arrepender. mas agora acabou. acabaram todas as desculpas, todas as noites em vigília. acabou o aperto no coração, o medo de não ser boa o bastante para você. agora quem não é bom o bastante é você. sempre foi, eu só não conseguía ver. estava cega de tanto amor, de tanta paixão. mas já era. o irresponsável e mimado ficou pra trás na minha vida. quem sabe um dia, quando você for um homem e não um menino, as coisas possam voltar a ser o que eram, quando o que mais existia entre nós era o amor'
ela não acreditava que pudesse ter escrito aquela carta. mas ao mesmo tempo que pensou nisso, uma lembrança da noite anterior veio à sua mente. havia colocado os seus patins preferidos e após 20 minutos, chegado à casa dele. havia entregue a carta, dado-lhe o melhor beijo de sua vida e saído. só parou de chorar quando adormeceu, enrolada em todos os edredons da casa.

'and I hate that I love you so'

2 comentários:

  1. Prima não sabia que vc escrevia... mto legal! =)
    Dá uma olhada no do irmão do Rafa... ele disse que vai fuçar no seu.. Beijos amo vc.. Tata

    underworldculture.blogspot.com

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  2. fuçei também, amor! te amo s2

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