terça-feira, 28 de setembro de 2010

blackout.

se lembra desse dia, quando você ficou sozinha aqui? ele perguntou com um brilho no olhar, algo perverso em sua mente. não, ela pensou. ela sabia que ela não era assim, pelo menos não naquele momento. estava apenas tentando colocar a culpa em alguém que não fosse ela mesma.
sim, eu lembro, ela murmurou, enquanto sua mente já estava longe dali. exatamente 13 dias antes do fim. pensando nisso agora, parecia um presságio, digno de filmes. olhou ao seu redor e se viu naquela mesma casa que, quase um ano depois, ainda parecia fria como naquela noite. estava lá, sozinha, infeliz por seus planos terem ido por água abaixo. tudo que mais desejava era chegar 22h logo, poder grudar no telefone e esperar para ouvir aquela voz. em vez disso, escuridão completa.
a escuridão que a engolfou de uma vez só. ela se viu perdida, sozinha, cercada por um véu negro. aquilo nunca a havia incomodado, até aquele momento. sentiu um arrepio de gelar a espinha. tentou se acalmar um pouco e, vendo que não conseguiria, fez a única coisa que sempre funcionava: pegou o telefone. discou aqueles números já gastos, tatuados em sua mente. mas algo aconteceu. ou melhor, não aconteceu. aquela não era a mensagem que esperava. a primeira das muitas coisas inesperadas que ainda iriam acontecer com ela. pelos próximos 13 dias.

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