quarta-feira, 15 de setembro de 2010

estrelas

parecia ser um dia como outro qualquer. o sol fez o seu espetáculo matinal, as pessoas acordaram após o despertador tocar, os cachorros latiram para os carteiros e as plantas fizeram fotossíntese. eu não sabia que aquele dia mudaria minha vida.
após muito esforço para acordar, fui tomar banho. mesmo a água, sempre tão eficaz, não foi capaz de me acordar de verdade. viví um dia cinza, pela metade, como se eu estivesse em stand by.
não sei muito bem explicar como aconteceu. uma hora eu estava no trabalho, cercada de colegas e na outra, eu estava correndo dalí. dizem que a primeira ideia é a mais verdadeira, então corrí para onde eu sempre acabo correndo: o mar. só de olhar aquela imensidão já me deu paz, mas ainda não era o suficiente. quando pisei na areia, foi como se uma descarga elétrica percorresse todo o meu corpo. sentir o vendo bagunçando o meu cabelo fez eu me sentir mais confiante. mas não o suficiente.
entenda, não era uma tentativa de suicídio. eu nem queria morrer! mas quando eu sentí a água gelada molhando os meus pés, sabia que seria impossível parar. sabia, com todas as forças do meu corpo, que eu estava me preparando para aquele momento. a cada onda que me molhava, era como se um pouquinho de mim se fortalecesse. quando dei por mim, a água me envolveu por completo. sentia cada ponto do meu corpo gelado, molhado. e inteiro. não me importava o que acontecesse, aquela era a melhor sensação que já havia sentido.
mas o melhor ainda estava por vir. quando fechei os olhos, a . ela era linda, incrivelmente linda. tinha cabelos dourados como o sol, com cachos indo até a linha da cintura. seu rosto era angelical, mas algo na sua expressão era malicioso, quase como o pecado na forma de um olhar. usava um vestido branco que parecia ter sido feito para ela. quando ela separou os lábios, sua voz saiu clara: 'faça valer'. e então eu apaguei.
quando abrí os olhos novamente, eu estava no meu quarto, deitava em minha cama. não tinha ideia de como tinha ido parar lá. não tinha nem ideia de tudo aquilo havia ao menos acontecido. mas quando levantei, havia areia pelo quarto todo.

'eu sei que você lê tudo o que escrevo'

2 comentários:

  1. Fantástico... Não é sempre que o espelho deixa marcas no tapete, por todo lado. Há, realmente, que ler tudo que escreve. E reler.

    Abração, Liih*. Gostei muito do novo visual.

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  2. Tudo é real quando é sentido no coração!

    Lindo!!

    Beijo grande e bom final de semana!

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