quarta-feira, 13 de outubro de 2010

diamonds.

ela tinha um jeito estonteante. na verdade, pensando agora, eu não consigo me lembrar de onde vinha tamanha magnitude. era como se ela não fosse real, pertencente a um mundo igualmente irreal.
suas pernas eram esguias e fortes. o jeito com que passava o peso de uma perna para a outra me indicou que estava perdendo a paciência. mas não tenho certeza; para falar a verdade, não tenho certeza de quase nada que tenha a ver com ela.
seus braços eram compridos, mas de um jeito que beirava a sensualidade, até. se movia com graça e desenvoltura, como se tivesse praticado algum esporte de precisão por toda a vida. só não tinha jeito de ter feito balé ou algo assim, seria muito delicado para alguém como ela.
vista de longe, o que mais me chamou a atenção foi seu sorriso (mais uma vez, não tenho realmente certeza). mas de perto, sua boca, mesmo fechada, teria feito caras como eu enlouquecer. tinha o formato de um coração, era carnuda e da cor mais brilhante que eu já tinha visto (ou provado, por sinal).
os seus olhos eram de um verde oliva que eu julgo nunca ter visto antes. eram puxados, como se em outra vida tivesse sido de origem oriental (e belos demais para não serem aproveitados em sua encarnação seguinte).
o cabelo claro que lhe serpenteava a cintura era a moldura perfeita para o rosto perfeito. as madeixas louras eram o contraste perfeito com a cor de sua pele, já acostumada ao sol.
quando ela me olhou, sua expressão mudou. passou de uma concentração contida, como se não pudesse demonstrar sentimentos, para reconhecimento, como se outrora tivessemos nos conhecido (ou, como gosto de pensar, fossemos mais do que conhecidos). aquele momento em que nossos olhares se cruzaram pareceu durar uma eternidade. quando consultei o relógio, havia se passado poucos instantes, mas eu tive uma súbita certeza de que me lembrarei daquele brilho no olhar até o fim.
a timidez, que sempre me fora característica, resolveu dar as caras bem naquela hora. já acostumado a desviar olhares, nada pude fazer. abaixei os olhos e senti o rubor percorrendo todo o meu rosto. convenhamos, eu não sou o cara mais afeiçoado que existe. mas tenho consciência de que daria para o gasto, se alguém se dispusesse a reparar em mim. tenho olhos azuis que parecem piscinas, segundo minha mãe. mantenho o cabelo louro acinzentado bem curto, única herança que tenho do meu pai. e, a muito custo, tenho dentes brancos e alinhados que fazem minha dentista feliz, segundo ela própria. sou alto e magro, mas prefiro pensar que poderia ser mais forte, se quisesse. essas características, todas juntas, me tornam um rapaz simpático (minha auto-estima não me deixa ser mais que isso).
quando resolvi devolver o olhar, não a encontrei. procurei por toda a parte, mas o meu desespero só aumentou. sinto agora o vazio que se formou no meu peito, o lugar que ela ocupou por aqueles poucos instantes.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

de volta pra casa.

e naquele momento, ela sentiu aquela vontade que a consumia mais forte do que nunca, como se alguém tivesse ligado um amplificador de emoções.
desejava apenas voltar no tempo. voltar para aquele tempo em que tudo lhe parecia certo e até natural. queria voltar para aqueles dias em que o mundo parecia estar no lugar, estar conforme era o planejado.
queria tanto ter aproveitado mais! ter dito mais 'eu te amo', ter se preocupado menos com bobagens, ter se aninhado mais vezes naquele corpo quente. queria ter ficado assim pra sempre. mas sempre acaba.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

descompassado.

sabe o que é? desculpe desapontar, mas essa não sou eu. não sei andar na corda bamba. odeio não saber o que esperar. detesto fechar os olhos e não saber se você estará lá quando eu acordar. não consigo conviver com a dúvida. não sei ouvir seu nome e fingir que foi do nada. não dá para me encaixar só na parte errada da sua vida.
o que você conheceu foi uma exceção. foi o meu coração implorando por qualquer fiapo mínimo de esperança, implorando para voltar a ser o que era antes. só que o antes não está aqui. a confiança faltou hoje. o contentamento em ouvir um elogio não veio. a vontade de descobrir aos poucos e dificilmente foi embora.
não me reconheço mais. nem milhões de respostas ajudariam.

‘o que eu desejo a você é que os deuses do amor estejam a te proteger. e que o verão no seu sorriso nunca acabe. e aquele medo de viver um dia se torne um grande amor’

domingo, 3 de outubro de 2010

inabalável ;D


desculpe se pareço tola. ou até presente demais. ou então muito fechada. é porque eu gosto de vocês.

gosto de acordar todos os dias, olhar pro lado e ver uma foto. gosto de ter bilhetinhos espalhados pela casa me lembrando de coisas aleatórias, como esmalte, vestido, cadeado e afins. gosto de ouvir um milhão de músicas no caminho. gosto de ver o sol nascendo. gosto de estar atrasada e de precisar correr uma maratona com obstáculos às 7h da manhã. mas eu gosto mesmo de vocês.

gosto de ter na boca o gosto de café, mas gosto ainda mais de passatempo com ninho. gosto dos textos feitos de madrugada, mas gosto ainda mais dos arcabouços. gosto de ver um vídeo, mas nada ganha de slides de freud. gosto de um milhão de livros, mas não se compara à lua azul. gosto de dormir, mas gosto mais de deitar na mesa. gosto de massagem, mas quebrar as costas no meio é melhor. gosto de assuntos aleatórios e de perguntas difíceis, mas tudo com vocês é melhor.

e sabe por que? porque eu gosto de vocês. porque eu nunca imaginei que encontraria pessoas que me entendessem nem que ajudassem como vocês.

então, desculpe se pareço tola. eu só tento ajudar.

desculpe se estou presente demais. eu não consigo me imaginar sem vocês.

e desculpe se sou muito fechada. não me acostumei com um nível tão grande de confiança e de comprometimento.

é que eu amo vocês.