quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

surpresa!


Ela não se conformava com o que alguém lhe disse um dia. Lhe disse que gostava dela. Assim, com todas as letras. Sem a menor margem para dúvidas ou subentendidos. Disse assim de sopetão e tudo o que ela pode fazer - como sempre - foi encará-lo. E sentir toda a vermelhidão característica dessas situações tomar conta de seu rosto. Sabia que se não fizesse algo, logo o seu pescoço e colo também estariam vermelhos. Mas o susto a paralisou. Nenhuma das palavras que lhe vinham à mente faziam algum sentido. Sentiu a sua boca abrir e fechar algumas vezes e não tinha nada que pudesse fazer quanto a isso.
Um monte de garotas daria tudo para estar no seu lugar. Ela sabia disso e esse fato só tornava a situação ainda pior. Se lembrava de alguém ter dito, tempos atrás, que ela não sabia a sorte que havia tido em encontrar um bom partido que gostasse tanto dela. Mas parecia que só ela não se empolgava tanto com esse interesse repentino. Achara muito estranho, desde o começo. Mas essa revelação bombástica a tinha pego em total desvantagem, ninguém a havia preparado para um momento como esse.
Foi então que os últimos três meses passaram pela sua mente. Não poderia negar, ele era um bom rapaz, tinha feito tudo que ela queria. Agiu com cavalheirismo e romantismo por todo esse tempo. Tinha uma conversa gostosa, apesar de parecer não se importar com os silêncios constrangedores que tanto a incomodavam. O seu sorriso era acolhedor e já havia falado sobre ela até para seus pais, sem mencionar os amigos que a adoravam. Tinha um futuro promissor e um emprego estável. Mas tudo o que ela sentiu naquele momento foi pena. Uma dó inigualável, um aperto no peito tão forte que tudo que ela queria era consolá-lo. Porque cá entre nós, ele só poderia ter algum sério problema. Três meses se vendo uma vez por semana não eram o suficiente para conhecê-la. Logo ela, das mil e uma facetas. Ela, que mudava de humor como mudava de roupas (ou ainda mais frequentemente). Ela, que só não tomava mais café porque não tinha uma cafeteria em casa. Ela, que jurava que em todos esses anos, quase ninguém a tinha conhecido (ou mais raramente ainda, entendido). Então como ele, em apenas três meses, poderia saber de alguma coisa? Como poderia saber o que ela realmente achava, realmente sentia, de que forma via o mundo? Ninguém poderia gostar dela sem saber das suas convicções, das suas manias, dos seus medos e amores.
E contrariando o que manda a etiqueta ou o que diriam as outras pessoas (não suas amigas), disse obrigada, virou as costas e foi para casa.
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'porque arranjar homem é fácil, difícil é se livrar deles' elas sz

3 comentários:

  1. sei que sou um bom partido. Te ligo mais tarde gata! ;)

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  2. nossa conversa em casa virou esse texto hein? =*

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