terça-feira, 29 de março de 2011

say I do.


Deveria ter pego aquele anel enquanto eu tive chance. Deveria ter te prendido entre minhas mãos como eu costumava fazer e ter te beijado até que você se esquecesse do mundo ao seu redor. Deveria ter ignorado seus apelos insistentes e ter mantido meus movimentos.
Mas acima de tudo, deveria ter seguido meu coração. Quando eu te perguntei se eu o teria em breve, você disse que sim, logo eu seguraria o anel entre meus dedos de novo. E eu acreditei. Afrouxei a mão lentamente e lhe devolvi o que te pertencia. Talvez se eu tivesse deixado as lágrimas rolarem de uma vez, eu saberia. Porque naquele momento eu não quis acreditar, mas aquele anel jamais voltaria a ser meu.


'this ring represents my heart'

domingo, 20 de março de 2011

oth.


Incrível como minha vida virou de cabeça para baixo de uns tempos pra cá. E incrível como eu vivo nesse paradoxo gigante que ela acabou se tornando. Não me lembro exatamente de quando isso aconteceu. Pode ser que tenha sido quando eu te conheci. Deus sabe o quanto isso mexeu com tudo que eu sabia e acreditava. Talvez tenha sido quando você me deixou. Meu sorriso se perdeu e eu soube que aquilo seria um divisor de águas. Pode ser que tenha sido quando eu percebi que vivia muito bem sem seu amor. Ou então, foi quando eu entendi o que isso significaria para mim. E pensando agora, todas as causas teriam a ver com você. Por mais difícil que seja admitir, eu só tenho certeza disso: você mudou a minha vida de maneiras inimagináveis e inigualáveis. Só não sei até que ponto é algo saudável.
Às vezes eu penso que você não sabe a dimensão do que eu sinto. Talvez não entenda porque eu preciso tanto te ver quando tenho várias pessoas a meu redor que dariam tudo para estar no seu lugar. E cá entre nós, se soubesse e respeitasse meu amor, me provaria que o merece. As palavras, à essa altura, já se foram.

'- Que tal outro modo de mostrar? Eu não estou te afastando (...). Eu quero ficar com você até o fim da vida, mas eu preciso que você me precise de volta.'

domingo, 13 de março de 2011

surf.


Observei absorta os seus movimentos. Como se estivesse numa dança coreografa e ensaiada. As tesouras dançavam ao meu redor e eu via pedaços caindo. Pedaços que eu julgava partes de mim. Mas não eram tão importantes assim.
E quando eu olhei pro chão ao meu redor, vi as partes de mim a partir de meus olhos turvos e embaçados. Doeu. Doeu horrores. Não me reconheci quando olhei pela primeira vez. O vácuo era esmagador.
Mas bastaram alguns momentos para eu perceber que eram partes supérfluas, partes facilmente preenchidas. Partes que crescerão de novo.


'Eu não quero promessas. Promessas criam expectativas e expectativas borram maquiagens e comprimem estômagos'

quinta-feira, 10 de março de 2011

...


'and the more you care, the more you have to lose'
pela primeira vez em anos, não consegui escrever. quem sabe um dia eu consiga olhar pra hoje e não sentir essa dor.

não mata, não engorda, mas faz mal.

E pela primeira vez em muito, muito tempo, me faltaram palavras naquela hora. Perdi o controle, baixei a guarda, rompi o escudo. E como se essa perda você também pudesse sentir, vi nossos olhares se cruzarem. Como se o som do nosso encontro fosse palpável, você também ouviu. Você, como já havia acontecido antes, sentiu a ligação pulsar mais uma única vez. Você também perdeu o controle, eu sei. E te vi largar o que segurava.
Não pude lidar com aquilo de maneira digna. Percebi as lágrimas se formando e o coração começando a doer. Daria tudo para que aquele olhar, aquele de tantos meses atrás, fosse o último. Para que aquela noite fosse a última notícia que teria de você. Não estava preparada pra o que aconteceu depois. Não estava preparada para a vida sem escudos, ainda que por só um instante.