quinta-feira, 27 de outubro de 2011

the night before birthday



E não eram borboletas no estômago ou friozinho na barriga. Como se eu tivesse consciência mesmo dormindo, era um suor frio. Desses ruins, desses de dar um aperto no peito. Desses de querer correr e não ter para onde ir.
Felizes os cinco segundos que se passaram depois que despertei. Os cinco segundos em que eu acreditei piamente que deveria continuar correndo e que mais hora menos hora a campainha iria tocar e tudo viraria normal, certo.
Mas você entenderia de primeira. Almas se reconhecem, certo? Se entendem. E uma mínima proximidade faria tudo desandar, correr de volta ao mar.


'Quando pensava em parar, o telefone tocou. Então uma voz que eu não ouvia há muito tempo, tanto tempo que quase não a reconheci (mas como poderia esquecê-la?),uma voz amorosa falou meu nome, uma voz quente repetiu que sentia uma saudade enorme, uma falta insuportável, e que queria voltar…'
Tati Bernardi

domingo, 23 de outubro de 2011

new memories




E é claro que viraria uma confusão sem tamanhos, digna de dramas mexicanos. Haveria corações partidos, reviravoltas de cinema, beijos apaixonados e reencontros arrebatadores. Mas não me entenda mal, essa é só a minha previsão. E quem sabe, a minha versão dos fatos.
Mas e se eu disser que não me importaria com toda a confusão criada, que eu até iria rir dela? Porque, para mim (não finja que não saiba), valeria a pena. Eu mandaria pelos ares toda a prudência e a educação. Eu amarraria o medo e o jogaria da cobertura daquele prédio, o de sempre. Me transformaria na sua versão preferida de mim, dentre tantas.
E eu não me contentaria com pouco. Teria que ser só você, pra mim, por todo o tempo já escrito no nosso destino. Seria adolescente, seria insano, seria intenso, seria eu. Mas cadê as cordas para eu amordaçar o seu medo?

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

'o que faz você feliz





Ah, mas cadê o verão? Está na hora já, ok?
Que venha o sol, o calor, o mar e a areia. Os beijos com pés na água salgada. Os olhos semi-cerrados ao olhar a claridade mais pura. Os potes gigantes de açai divididos em dois. As bolas mal-calculadas certeiras. As fotos onde o cenário é mais importante que o protagonista. Os biquines amarelos suicidas. As chuvas no fim da tarde para acalmar o calor. Os mergulhos para limpar a mente. E a alma. Os pastéis com carne. Queijo. Presunto. Tomate. Frango. Ou o que você estiver com vontade na hora. O despertador tocando depois de duas horas de sono, só para não pegar filas. A hiperatividade naquela cadeira azul. As manhãs de corrida. E suor. E Jack Johnson. E emoção.
Porque eu quero tudo que eu posso ter, toda a felicidade do mundo condensada em alguns meses. Quero as memórias antigas, mas quero fazer novas. Para não querer esquecer nunca. Nem se eu quisesse. Já aconteceu antes, mas está na hora de repetir a dose.


'quero fim de ano, pés descalços na areia, a brisa do mar, fim de tarde tranquilo, música boa, sem relógio, despertador ou qualquer coisa que me mostre o tempo passando. quero sair de noite olhar pro céu e ver estrelas, ter tempo pra ver como a lua é bela, observar pessoas, rir, chorar, pensar, viver, cantar, sentir. preciso de um tempo, preciso me reencontrar em novos caminhos e preciso disso agora. porque não morri. porque é verão e eu quero ver, rever, transver, milver tudo que não vi.'

Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

até que dá saudade



Não me subestime. Nunca. Em nenhum momento.
Sei que essa carinha de boba engana, mas é só fachada. Tem um cérebro por trás. E um orgulho do tamanho de um bonde. Então não me venha com essa história de eu ter me enganado ou de não estar vendo as coisas direito. Tenho um olho clínico muito bom, obrigada. Tenho um bom conhecimento de campo também, modéstia a parte. E uma sensação de inconformidade que supera as expectativas.


Comece - ironicamente - seguindo o conselho de quem deixou de te amar. Cuide de você.
Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

comprometida



É que essa história de amar é complicada. Tem que ser constante. Um exercício diário de fazer o amor girar. Como se apaixonar todos os dias pela mesma pessoa. Fundamental.

'Muitas vezes recordamos o casamento anos depois, [...] e só conseguimos lembrar "as férias, as emergências" - os pontos altos e baixos. O resto se funde num tipo nebuloso de mesmice cotidiana. Mas o poeta afirma que é exatamente essa mesmice nebulosa que compõe o casamento. O casamento é essas duas mil conversas indistintas, durante dois mil desjejuns indistintos, nos quais a intimidade gira como uma roda lenta. Como medir o valor de ficar tão familiar para alguém, tão absolutamente conhecido e tão completamente presente que viramos uma necessidade quase invisível, como o ar?'

Elizabeth Gilbert